Imagens da/na Escola

 

Na exposição Infância e Culturas Escolares estão expostas uma série de fotos de crianças nas escolas – imagens feitas por profissionais ou amadoras, por demanda oficial ou particular, captadas em diferentes épocas, em instituições públicas e privadas, situadas em variados estados brasileiros, registrando turmas e alunos desde a Educação Infantil, até as últimas séries do Ensino Médio. A fim de resguardar as meninas e meninos nelas retratados, o Museu da Infância opta por não disponibilizar na web qualquer imagem na qual apareçam crianças. Por esta razão, estas fotos não estão disponíveis para visualização neste site.

Cabe registrar que a maioria das fotos traz crianças contidas, sentadas de forma enfileirada, uma atrás da outra, ou uma ao lado da outra... Silenciosas.

 


Álbum de recordação dos alunos da 7ª série da
E. B. Basílio da Gama, do ano de 1974, em Criciúma/SC.

 

Interessante notar que as foto-grafias são “escritas pela luz” que registram/congelam um momento representativo. Como qualquer imagem, são expressões de linguagem e, como tal, não desvinculadas de seu caráter ideológico. O que se quer mostrar? Em outras palavras: que mensagens estariam por trás das cores, objetos e poses que compõem as fotos oficiais tiradas nas e pelas escolas e espaços de educação infantil?

Registre suas idéias sobre isso e envie para infancia@unesc.net

 

 

“O treinamento dos escolares deve ser feito da mesma maneira; poucas palavras, nenhuma explicação, no máximo um silêncio total que só seria interrompido por sinais; sinos, palmas, gestos, simples olhar do mestre, ou ainda aquele pequeno aparelho de madeira que os Irmãos das Escolas Cristãs usavam; era chamado por excelência “Sinal” e devia significar em sua brevidade maquinal ao mesmo tempo a técnica do comando e a moral da obediência” (Foucault, Vigiar e punir, p. 140).

Este boneco foi dado como presente ao Profº Ademir Damázio por um aluno, nos anos 80, em seu primeiro ano de magistério, na escola Isolada Rocinha (Lauro Müller/SC), como representação da escola e da época em que este havia estudado. Coleção Particular.

 

“O momento histórico das disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa não unicamente o aumento das suas habilidades, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto mais útil. Forma-se então, uma política de coerções que consiste num trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada dos seus elementos, dos seus gestos, dos seus comportamentos. O corpo humano entra numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. A disciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados, os chamados "corpos dóceis". A disciplina aumenta as forças do corpo (em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças. Ela dissocia o poder do corpo e faz dele por um lado uma "aptidão", uma "capacidade" que ela procura aumentar; e inverte por outro lado a energia, a potência que poderia resultar disso, e faz dela uma relação de sujeição estrita” (Foucault, Vigiar e punir, p. 119).

 

Algumas chamam atenção por serem turmas só de meninas. A Reforma Leôncio de Carvalho (1879) promulga, no então ensino primário, dentre outras coisas, a não obrigatoriedade da instrução religiosa, ou seja, a implantação da escola laica e a extinção de escolas separadas para meninos e meninas. Essa Reforma, com propostas como a de formação de turmas mistas nas escolas, marca um avanço para a sociedade oitocentista. Também o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, datado de 1932, reforçava as reivindicações por uma educação pública, gratuita, mista, laica e obrigatória. A educação mista também foi defendida pela Constituição de 1934. Apesar disso, na década de 60 do século XX, ainda era possível encontrar escolas só de meninas ou só de meninos.

 

 

Vestido de Silemar Maria de Medeiros usado em uma festa junina da pré-escola no curso infantil Nossa Senhora da Salete, em Criciúma/SC no ano de 1969, acompanhado de foto. Na exposição, este vestido vem acompanhado de foto da criança vestida com ele.

 

Também temos expostas uma série de fotos de crianças em festejos escolares diversos: dia dos pais, festas juninas, desfiles de 7 de setembro, dia do folclore, entre outros. As datas comemorativas estão tão enraizadas nas culturas escolares brasileiras que são naturalizadas como algo pertencente à infância; portanto, como algo implícito ao processo pedagógico infantil. Entretanto, cabe questionar: a serviço de quem ou de que estão estas festas? Alguns defenderão que são ações fundamentais de produção/ transmissão/ manutenção da cultura popular. Outros irão contrapor dizendo que são datas de cunho estritamente comercial que se vinculam a alimentar aspirações alicerçadas em atividades temáticas. Outros, ainda, criticarão que esta postura educacional favorece a fragmentação do conhecimento e não permite a criação de teias de significação pelas crianças. Seja como for, é importante percebê-las como algo construído e instituído – não natural. Como você vê esta polêmica?

 


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(...) eu nunca me esqueço dum presente pros dias das mães, que era o que a gente mais fazia [na escola], dias dos pais, dias das mães, então o que ocorreu: tu tinhas que trazer era um feltro, um feltro de várias cores, que tu formavas uma flor, né? E um papel duro atrás que tu colocavas na parede com um ganchinho pra colocar agulha, alfinetes. Só que a professora fazia assim: três folhas verdes pra ti, três folhas verdes pro colega e ia indo assim. Depois duas flores rosas pra ti, duas flores rosas pro colega, daí ela mandava todo mundo esperar. Daí o que ela fazia? Ia pro quadro, “agora vocês coloquem a flor rosa lá em cima, coloquem a folha verde no canto” – e eu dizia: “Ah, professora, mas a rosa não pode ficar embaixo?”. Eu me lembro que eu perguntava e ela dizia: "Não, tem que ser assim!'" (Fátima)

FREITAG, Vanessa. Tecendo os fios das memórias de infância no processo criativo docente: um estudo com professores de artes visuais da Casa de Cultura de Santa Maria/ RS. Dissertação de Mestrado em Educação. RS: UFSM, 2008 – p.108.

 

 

 


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