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Brinque com o
acervo no jogo
Caixa de brinquedos

Desenhado por Casthalia


Atualizado em 25/fev/2011


Jogo & Brinquedo

Parece inegável hoje a importância do brincar para meninos e meninas de todas as idades, entretanto, brincadeiras não são atividades inatas da criança, mas ações sociais e culturais aprendidas nas relações inter-pessoais; supõem uma aprendizagem sociocultural.

Há basicamente duas fontes que originam as brincadeiras das crianças: o adulto, que vai introduzindo comportamentos lúdicos na sua relação com elas; e as descobertas das próprias crianças e delas entre si. “É ela [a criança] quem comanda. Brinca-se ‘com ela’, ‘para ela’, para estimular sua capacidade inventiva, para dar-lhe novos instrumentos que serão usados quando brincar sozinha, para ensiná-la a brincar1”. Brincadeiras implicam em tomadas de decisão –pode-se saber quando vão começar, mas não quando terminarão. Dependem, basicamente, de um acordo de regras entre os participantes. São marcadamente espaços de criação, experimentação, inovação nos quais, a cada momento, as crianças descobrem suas competências e possibilidades. Em outras palavras, brincadeiras são configuradas nas associações entre a ação e a ficção; ou seja, são consubstanciadas nos diferentes “sentidos dados à ação lúdica2”; “um espaço à margem da vida comum, que obedece a regras criadas pela circunstância3”.

Para Vygotsky, “... o brincar e o brinquedo criam na criança uma nova forma de desejos. Ensinam-na a desejar, relacionando seus desejos a algo fictício, ao seu papel no jogo e suas regras4 ”. O autor russo afirma ainda que nas brincadeiras “a criança sempre se comporta além de seu comportamento habitual de sua idade, além de seu comportamento diário; no brinquedo é como se ela fosse maior do que é na realidade5”.

Kishimoto faz a distinção entre a brincadeira entendida por ela como a “ação que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo, ao mergulhar na ação lúdica... é o lúdico em ação6 ” e o jogo, que define como “a descrição de uma ação lúdica envolvendo situações estruturadas pelo próprio tipo de material, como xadrez, trilha ou dominó7 ”.

Um dos suportes das brincadeiras são os brinquedos e jogos. Estes são, então, objetos que, em sua materialidade, deflagram a ação lúdica. Também aqui se pode estabelecer uma diferença, mesmo que se reconheça que, em alguns casos, esta distinção seja bastante sutil e de difícil percepção. Considera-se jogo o objeto que traz, em si, “regras estruturadas externas que definem a atividade lúdica8 ”; enquanto o brinquedo, mais flexível, é fonte inesgotável de imagens e associações diversas, podendo gerar maior variedade de ações lúdicas. Portanto, não é o brinquedo, como objeto, que define a ação, mas o uso que se faz dele. “Hoje talvez se possa esperar uma superação efetiva daquele equívoco básico que acreditava ser a brincadeira da criança determinada pelo conteúdo imaginário do brinquedo, quando, na verdade, dá-se ao contrário9”.

Brinquedos e jogos são, assim como as brincadeiras e jogos deles derivados, objetos de cultura e, como tal, datados e contextualizados econômica, social e historicamente. Em outras palavras, brinquedos “não dão testemunho de uma vida autônoma e segregada, mas são um mudo diálogo de sinais entre a criança e o povo10”. Segundo Benjamin, os brinquedos não nasceram tal como os conhecemos e compreendemos hoje. Até o século XIX eram produtos secundários de artesãos que faziam miniaturas de seus trabalhos em ferro, madeira, cera... Assim, eram caldeiros, fundidores, fabricantes de vela ou marceneiros as pessoas que primeiro fizeram objetos que entretinham as crianças e deleitavam os adultos. Alguns dos mais antigos brinquedos, como a bola, o arco ou a pipa, surgem como objetos de culto “e certamente graças à força da imaginação infantil, transformaram-se em brinquedos11 ”. É apenas a partir de 1850 que eles “vão perdendo aos poucos o elemento discreto, minúsculo, sonhador12 ” e tornam-se maiores. O processo produtivo também passa a ser fragmentado obedecendo ao sistema econômico em voga já não é o mesmo artesão que faz todas as etapas da fabricação de um determinado brinquedo; já não é mais a madeira sua matéria prima principal.

A modernidade traz a criança para o centro da cena e faz dela consumidora. Também os brinquedos são então veiculados pela mídia e tornam-se objetos de desejo. Não mais simplesmente pequenos ou grandes; artesanais ou industriais. Novas categorias se fazem necessárias. Surgem os games, ou jogos eletrônicos, desenvolvidos em computadores, jogáveis no próprio computador ou em consoles (aparelho especialmente desenvolvido para este fim, mas que precisa de um monitor de televisão, como o Atari e o Playstation), arcades (chamados fliperamas, máquinas com console e monitor acoplado) portáteis e aparelhos de celular.

Os primeiros games, lançados entre as décadas de 1950 e 1960, eram jogos de ação que exigiam do jogador reflexo rápido e destreza com o controle. A partir da década de 1990, os games tomaram um novo fôlego. Algo que se deve tanto ao aprimoramento das tecnologias utilizadas em seu desenvolvimento - linguagens de programação, recursos gráficos e sonoros, equipamentos -, quanto à propagação da Internet, permitindo o surgimento de jogos multiusuários em rede mundial. Atualmente os games exigem do jogador muito mais do que o domínio de um joystick, mas o agenciamento de situações complexas nas quais o jogador precisa buscar e articular informações, refletir e projetar ações, como acontece nos jogos de estratégia, aventura e RPG (Rolling Play Games). Pelo grande potencial imersivo e interativo, os games não estão mais restritos ao setor de entretenimento e aos públicos jovem e infantil. Na área de Educação, eles estão presentes desde a educação infantil ao treinamento de profissionais de áreas específicas, e não apenas jogos nomeados como educativos e didáticos, mas os games de forma geral.

 

Ler resenhas de jogos e brinquedos

Pesquise em livros sobre jogos e brinquedos

 

1 RODARI, Giani. Gramática da Fantasia. São Paulo: Summus, 1982 (p.93).
2 BROUGÈRE, Gilles. Brinquedo e cultura. São Paulo: Cortez, 1995 (p.14).
3 Idem, p.99.
4 VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984 (p.114).
5 Idem, p.117.
6 KISHIMOTO, Tizuko. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 2000 (p.21).
7 Idem, p.7.
8 Ibidem, p.7.
9 BENJAMIN, Walter. Reflexões: a criança, o brinquedo e a educação. São Paulo: Duas Cidades, 2005 (p.93).
10 Idem, p.94.
11 Ibidem, p.96.
12 Ibidem, p.91.

 

 

 

 


Livros sobre jogos e brinquedos

BENJAMIN, Walter. Reflexões: a criança, o brinquedo e a educação. São Paulo: Duas Cidades, 2005.

BROUGÈRE, Gilles. Brinquedo e cultura. São Paulo: Cortez, 1995.

KISHIMOTO, Tizuko. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 2000.

PORTO, Cristina Laclette. Brinquedo e brincadeira na brinquedoteca. In: KRAMER, Sonia; LEITE, Maria Isabel. Infância e produção cultural. São Paulo: Papirus, 2005 (171-198).

VON, Cristina. A história do brinquedo. São Paulo: Alegro, 2001.

VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

 

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